domingo, 15 de janeiro de 2012

↕ Sentir AINDA é Necessário.




Como superar essa fase de separação de uma união de 4 anos de vida a dois, onde após alguns meses separados (quase dez) se descobre que o ex tem outra pessoa... é uma sensação estranha, difícil! Não sei explicar exatamente o que se passa. Tento ser neutra a tudo isso mas no fundo, no fundo isso me incomoda, e muito! Por favor, me digam se isso está dentro da normalidade...O que eu posso fazer para aliviar essa ansiedade toda...Tenho levado minha vida, então, porque isso ainda mexe comigo?"
Peguei emprestado um trecho da história e dos sentimentos de uma usuária que dividiu um pouco da fase que atravessa.
O que captura minha atenção são as demonstrações de seus sentimentos que, embora não estejam explícitos nas linhas, estão contextualizados na; culpa por sentir dor, tristeza, raiva, sensação de estranhamento e "erro" por não estar pronta, curada e preparada para uma nova jornada afetiva, nos conflitos que a fazem sentir-se inadequada.
Na forma de cultura vigente, percebemos cada vez mais que pessoas e máquinas vivem praticamente em nível de igualdade. Hoje dizemos que uma pessoa não sonha mais em ser como alguém que admira, hoje os jovens buscam ser como máquinas, o ideal de ser é o ideal da rapidez, da precisão, da velocidade, da tecnologia. Sentir pra que? Sentir por quê? Acredita-se ser possível deletar e apagar pessoas e sentimentos como fazemos em nossos computadores e assim muitos fazem com a vida dos outros e com as próprias.
Inúmeras vezes chamamos de isso nossa própria vida, sentimentos, nossa história, como se fosse algo menor, como se considerá-los diminuísse o valor que temos no mundo, como se sentindo nos tornássemos fracos. Usamos um pronome quase depreciativo, isso, para no fim falarmos de nós mesmos. Essa crença traz culpa para aqueles que sentem, que entram em contato com seu mundo interno, com seu rico e valioso mundo interno, cada vez mais deixado em segundo plano, cada vez mais banalizado, cada vez mais considerado como alguma coisa estranha e desnecessária. Se culpam porque ainda não se recuperaram, porque ainda sofrem, porque sentem.
Considerar a existência do mundo interno é entrar em contato, sentir, sofrer, viver conflitos, amar, sorrir...nos dias onde todos buscam uma vida como vista em comerciais de TV, como fazer quando, em um certo momento, o que temos, sentimos ou vivemos em nada se compara com a alegria lá fora? E aí entra em cena a urgência de finalizar a dor, a pressa que leva muitos a dizerem "eu ainda sofro pelo fim do casamento, está certo sentir assim?"
A urgência não deveria estar na rápida tentativa de aniquilar os sentimentos e sim no retorno ao ritmo humano e natural dos sentimentos, com início, meio e desfecho. Seria possível então atravessar a dor com o tempo e respeito necessários, sem a idéia de que vivê-la é errado ou inapropriado, é simplesmente humano. Teme ser fraco ou frágil aquele que ainda chora, ainda pensa, ainda sente. Claro que não quero por meio do artigo dizer que o sofrimento deve ser eterno ou cultivado, ele precisa ser considerado e respeitado porém cuidado e tratado para que através dele advenha um maior conhecimento sobre si e um crescimento emocional. Mais forte e saudável será aquele que admite sua dor, aceita, lida e transforma.

► TRAÇAR O PAR IDEAL É A MELHOR OPIÇAO?


Na busca por uma relação amorosa observo muitas pessoas, homens e mulheres, traçando encontros como se fossem planos ou projetos a serem executados. Imaginam cenas ideais, relações perfeitas, companheiros sem falhas. Sempre na crença e na esperança por uma relação perfeita, definem padrões absolutamente impossíveis de serem encontrados na realidade e se frustram consecutivamente a cada tentativa.
São pessoas que funcionam dentro de um modelo infantil, esperam de forma inconsciente que seus parceiros supram suas carências, reparem seus danos emocionais, acolham incondicionalmente, que lhes ofereça muito e exijam pouco. Algo como uma reprodução das relações amorosas infantis, num contexto de imaturidade e dependência. São essas as pessoas que mais idealizam, se frustram e encontram dificuldades em se relacionar.
Idealizar não pode ser confundido com o desejo ou busca por uma relação saudável e especial. Sim, é fundamental que se saiba o que faz bem, o que é danoso e o que é construtivo. Importante que se escolha uma forma de vida que enriqueça, mas isso não significa perfeição ou ausência de falhas. Vejo inúmeras vezes o critério de perfeição estabelecido afastar grandes possibilidades de uma maravilhosa relação amorosa. Existe uma fantasia, muito infantil, que só se é feliz com aquilo que se sonhou, quando na realidade é possível se surpreender com as situações novas ou impensadas.
Uma relação idealizada poucas vezes funciona na troca, ela normalmente funciona como um tapa buraco, uma tentativa de ter do outro o que se precisa. Considero injusto inclusive com aquele que é "o idealizado" já que ele normalmente não é visto ou aceito por inteiro. Ama-se uma parte dele, aquela da qual se necessita e é desse ponto que partem as frustrações, uma vez que esse amor ideal tem falhas, comete erros, não atende integralmente às suas necessidades. Para muitos se torna impossível suportar esses traços e sofrem, seguem e repetem o mesmo erro na relação seguinte.
Se permitir mais liberdade nas vivências amorosas, menos filtros, mais espontaneidade, tornará o processo do encontro diversificado, divertido, leve, interessante e enriquecedor. Surgirão surpresas, experiências que podem aproximar de um amor verdadeiro e real. O que se julga ideal não passa de uma construção irreal que tem como base aspectos infantis e muitas vezes inconscientes e que, em quase todas as vezes, conduz a decepções.
Construa menos a idéia do que se quer, não viva a busca por vínculos como projetos artificiais, faça o possível para que sejam reais e simplesmente humanos. Entrar em contato com as diferenças tornará o processo real e bem mais divertido. Deve-se sonhar não com a perfeição, mas com a realização.